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Final Fantasy XII: A Jornada Solo Perfeita para Amantes de MMOs com Pouco Tempo

Então, por onde começo?

Espero não divagar tanto antes de ir para o ponto principal.

Durante minha juventude, que foi o período em que tive mais tempo livre e, claro, quando tinha acesso à internet (algo que nem sempre foi constante em meados dos anos 2000), eu praticamente gastava todas as horas livres do dia jogando MMORPG, até porque era praticamente uma febre na época. Todos os meus amigos, irmãos e primos jogavam, e claro que eu não podia ficar de fora. Além da sensação de pertencimento que aqueles jogos proporcionavam, eles também eram, e ainda são, um dos gêneros que mais viciam e divertem, não especificamente pelos seus gráficos ou jogabilidade, mas pelo fato de estar em um mundo onde há outros jogadores competindo com você por diversos objetivos, sejam financeiros ou simplesmente para ser o jogador mais forte.

Usarei como exemplos os dois MMOs que mais joguei: Tibia e Ragnarok, mas focarei em Tibia como base. O que mais gostava em Tibia era justamente a sensação de ter um mundo para desbravar, uma severa penalidade para a morte, ter meus amigos ali comigo e, pela dificuldade de quase tudo no jogo, as recompensas realmente eram gratificantes; fazia diferença a mínima mudança de um item por um levemente melhor. Mas, deixando a enrolação de lado, chegou um momento em que minha família teve que mudar de cidade e, nela, ainda não havia internet, exceto via rádio, que era péssima, inviável para jogar online.

Como eu não tinha um bom PC para rodar a maioria dos jogos (esse era o principal motivo para jogar Tibia e Ragnarok, que rodavam em qualquer máquina) que estavam em destaque, ou nenhum console da época, como PS3 e XBOX360, tive que voltar ao PS2, que tem uma ótima biblioteca, claro, mas eu não me divertia tanto com os jogos Single-Player quanto me divertia com os Multiplayer, especialmente os MMOs. Até que um dia, encontrei por acaso Final Fantasy XII. Finalmente, fiz a ligação com o tema principal.

O que fez Final Fantasy XII ser tão marcante para mim naquele momento, e ainda é, foi o fato de ele usar mecânicas de um MMORPG em um jogo Single-Player (eu sei, pode parecer um paradoxo, mas você entendeu). Principalmente em sua exploração, onde, depois que a história principal permite, explorar o mapa é extremamente satisfatório. Não chega a ser um mundo aberto, mas é semiaberto, com dezenas de mapas separados, cada um com diversos tipos de monstros. E cada uma dessas criaturas pode dropar tanto itens para a fabricação de equipamentos ou algo do tipo, quanto há a chance de droparem aquela arma que você gastaria horas “farmando”.

Outro ponto que fez FFXII matar um pouco essa vontade de jogar um MMO é o fato de, sei lá, talvez 50% ou mais do mapa do jogo ser opcional. Se você fizer só a campanha, perderá muita coisa. Há mapas que mudam radicalmente de acordo com a estação do ano; por exemplo, no período de chuva, algumas áreas são liberadas devido ao alagamento. Outras partes só são acessíveis se você tiver uma montaria. Há caminhos e rotas que devem ser seguidos de forma específica em um mapa que acaba destravando uma nova área, que geralmente é um boss. Essas coisas, o jogo não te diz nada; é por pura curiosidade que você vai descobrindo.

Claro, como um “FF”, ele apresenta elementos da franquia, como personagens estabelecidos formando um grupo (algo que não tem mais; é… FF XVI pecou nisso). Há diversas builds e classes que podem ser escolhidas para qualquer personagem. Mas, em resumo, o que quero dizer ou passar a ideia é que, mesmo sendo um RPG single-player como vários outros da indústria, a sensação que ele me passou foi única. Simplesmente desde o momento em que você pisa em Ivalice, o mundo de Final Fantasy XII, é impossível não sentir a grandiosidade e a complexidade que normalmente se associa a um MMO. A sensação de estar jogando um “MMO single-player” se manifesta de várias maneiras.

Alguns exemplos de como:

• Exploração e Mundo Aberto: A vastidão de Ivalice, com suas diversas regiões, cidades e masmorras, é reminiscente dos mundos expansivos encontrados em MMOs. Há uma sensação de liberdade e descoberta, com segredos escondidos em cada canto, incentivando a exploração minuciosa. E um fato que reforça isso são as diversas opções de locais para você farmar ou upar os personagens, de acordo com a build que você usará no momento.

 

 

• Combate em Tempo Real com Turno: Diferente dos MMOs tradicionais, que geralmente são em tempo real, o combate em Final Fantasy XII é uma mistura única de ação em tempo real com a opção de combate em turno. Isso permite que os jogadores planejem e executem estratégias complexas sem a pressão constante do tempo, similar ao que se encontra em muitos MMOs durante as batalhas de raid. Além disso, há a vantagem de acelerar o tempo em até 4x, (você certamente gostará disso durante a exploração).

 

• Sistema de Combate Gambits: Este sistema inovador permite que você programe o comportamento da sua equipe em praticamente tudo, desde antes, durante e depois da batalha, deixando tudo praticamente automatizado. Mas haverá inimigos que exigirão mais atenção, já que apresentarão estratégias bem diferentes do habitual. No final, acaba passando a sensação de estar coordenando uma equipe de jogadores reais durante umas raids, por exemplo, onde cada membro tem um papel específico a desempenhar.

 

 

• Interatividade e Dinamismo: Os NPCs não são estáticos; eles se movem e interagem com o mundo ao seu redor, criando uma sensação de um mundo vivo e respirando, o que distancia a ideia de que é um jogo offline.

 

 

 

• Caçadas: Há um sistema de caçadas (missões) que começam desde o mais simples, como matar um cabeça de tomate, até as últimas, que é aquele básico, matar um “deus”. Boa parte delas, especialmente as mais difíceis, lembram bastante os MVPs (que no caso, uso Ragnarok como exemplo).

 

 

 

 

 

  • Em resumo, Final Fantasy XII captura a essência de um MMO dentro de uma experiência single-player, oferecendo uma aventura épica que combina o melhor dos dois mundos. Eu sei que atualmente, em plena 9ª geração, muitos dos elementos que citei podem parecer comuns ou supérfluos, e até pode ser que sejam, mas realmente não sinto isso, mesmo jogando alguns RPGs que saíram recentemente. Atualmente estou jogando FF XVI, com umas 60 horas e sem ideia se estou perto de zerar. Quando saíram as notícias de que parte da equipe do XII estaria nele, fiquei animado, mas até agora estou decepcionado, pois a única coisa que realmente possui as qualidades do XII são os mapas separados, mas que pecam em tudo, desde a exploração, farm, descoberta de áreas secretas, variedades de monstros. Enfim, chega de enrolação. Se você quer matar a saudade de algum MMO e não tem tempo, Final Fantasy XII, em especial sua versão remasterizada, The Zodiac Age, será talvez uma das melhores opções.

 

 

 

 

Final Fantasy XII: A Jornada Solo Perfeita para Amantes de MMOs com Pouco Tempo

Final Fantasy XII: A Jornada Solo Perfeita

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