Crimson Desert é, sem dúvida, um dos maiores sucessos recentes da indústria, já ultrapassando a marca de 3 milhões de cópias vendidas. Mas junto com todo esse hype, uma crítica vem aparecendo com frequência: a história do jogo.
E agora, essa percepção ganhou ainda mais força vindo de dentro do próprio projeto.
Durante participação no podcast Friends Per Second, Alec Newman, dublador do protagonista Kliff e conhecido por trabalhos como Cyberpunk 2077, revelou que também ficou perdido com a narrativa do game durante o desenvolvimento.
“Eu ficava perguntando: ‘Tá, mas o que exatamente está acontecendo?’”
E sendo bem direto, isso explica bastante coisa que muita gente já vinha sentindo enquanto jogava.
Um desenvolvimento meio bagunçado
Segundo Newman, o processo de gravação passou longe de ser linear. Mesmo depois de anos envolvido com o projeto, ele conta que a equipe ainda parecia estar definindo qual seria a direção final do jogo.
“Quase dois anos gravando, e aí disseram: ‘Agora vamos começar de verdade’. Eu pensei: como assim?”
Não é o tipo de relato que passa muita confiança quando a gente pensa em narrativa. E ele ainda bate com rumores de bastidores que apontam que partes importantes da história só foram fechadas perto do lançamento.
Se isso for mesmo o caso, é até impressionante o jogo ter saído do jeito que saiu.
Kliff poderia ser muito mais
Um ponto que chama atenção é como essa confusão afetou diretamente o protagonista. Kliff tem presença, tem estilo, mas muitas vezes parece travado emocionalmente.
Segundo o próprio dublador, temas importantes como a relação com os Greymanes e a ideia de “família” só ganharam importância depois de muito tempo de desenvolvimento.
“Eles queriam que isso fosse importante… mas não tinham escrito os momentos pra isso acontecer.”
E aí fica aquele sentimento de potencial não totalmente aproveitado. Dá pra ver o que o jogo queria fazer, mas nem sempre ele consegue chegar lá.
As críticas fazem sentido… mas o jogo ainda entrega muito
Algumas análises pegaram pesado com a narrativa, chamando de mal desenvolvida em certos pontos. E olhando esses bastidores, fica difícil discordar completamente.
Mas também seria injusto resumir Crimson Desert só por isso.
Porque quando o assunto é gameplay, mundo aberto e ambição, o jogo acerta em cheio. É aquele tipo de experiência que te prende mesmo com defeitos claros. Quem jogou sabe, você começa a explorar e quando vê já perdeu horas ali.
No fim, é um jogaço… com cicatrizes de desenvolvimento
O próprio Newman deixou claro que, apesar das dificuldades, ficou feliz de fazer parte do projeto e de ver o jogo funcionando com o público.
Ainda assim, ele reconhece que o personagem poderia ter sido melhor aproveitado.
“É difícil passar 150 horas com alguém que quase não se abre.”
E talvez esse seja o melhor resumo possível. Crimson Desert é gigante, impressionante e cheio de momentos marcantes, mas carrega sinais claros de um desenvolvimento complicado.
Mesmo assim, o saldo ainda é muito positivo. E sendo sincero, se esse foi o resultado de um projeto cheio de idas e vindas, dá até curiosidade de ver o que a Pearl Abyss consegue fazer com tudo mais alinhado desde o início.

